9º Sinfonia – Ludwig van Beethoven (arranjo simplificado para violão solo)

Esse é um arranjo simplificado para violão da  9º Sinfonia de Ludvwing van Beethoven. O arranjo é do prof. Clévio José Vieira (Goiânia), e se encontra em seu método de violão solo.

Opus 35 – Estudo Nº 1 – Fernando Sor

Opus 35 – Estudo Nº 1 – Fernando Sor

Originalmente essa peça é um andante. Digo isso porque não está sendo executada na mesma velocidade em que foi proposta (na verdade, um pouco mais rápida). Opus significa obra, ou seja, “obra de número 35″; essa, especificamente, é um estudo para iniciantes em violão solo, cujo autor é Fernando Sor.

Soneto do Sol e da Lua

Vai se afastando do tempo o dia meu,
Para vir o seu, e entrar, e sair eu.
Vai se afastando do dia o tempo meu,
para que as palavras perdam as cores.

E desço e as palavras ganham amores,
Pois tudo que se faz, enquanto sou,
entre os que se amam e juram carinho
É tão tímido, sutil arrepio.

Mesmo o calor que trago não é frio
como o seu. Que frio é esse que te dá a noite?
E você vê e sente, e eles também.

E ele diz para ela agora tão bem
Coisas que não diria sem o seu frio
A sentir ambos um tão maior calor.

Guilherme Alencar

Enlaço instrumental

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“With what attentive courtesy he bent
Over his instrument;
Not as a lordly conqueror who could
Command both wire and wood,
But as a man with a loved woman might,
Inquiring with delight
What slight essential things she had to say
Before they started, he and she, to play.”*

The Guitarist Tunes Up (poema), Frances Cornford (1886-1960)

* Tradução:
Com que cortesia atenciosa ele se curva
Sobre o seu instrumento;
Não como um altivo conquistador que
Comandaria duplamente arame e madeira,
Mas como um homem que poderia de uma mulher amável,
Inquirir deliciosamente
Coisas rápidas e essenciais que ela precisa falar
Antes de eles começarem, ele e ela, a tocar.

Enlaço instrumental

Pregar-lhe os braços
no seu pescoço:
Aprova esse arranjo?
“Desde o início. Parecem-se com uns laços.
E porque são dedos a ritmar
E não laços, prendem-me muito mais.”
Trazer-lhe junto de mim
cintura com cintura
E antes do último acorde
Deitarmos-nos em beijos
E, afinal, perguntar
O que é cantar o coral das nossas bocas?
“Tenho certo que é somente Amar.
Simplesmente música.”

Guilherme Alencar

Há também um vídeo no Youtube inspirado nesse poema de Frances Cornford (uma mulher). E quanto a tradução, eu a fiz ligeiramente, se observarem alguma incoerência peço que comentem. Encontrei o quadro em Deviantart.com.

Um Sarau

“Um sarau (do latim seranus, através do galego serao) é um evento cultural ou musical realizado geralmente em casa particular onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem artisticamente. Um sarau pode envolver dança, poesia, leitura de livros, música acústica e também outras formas de arte como pintura e teatro.” (Wikipedia)

Dia 26 de novembro aconteceu o Sarau de lançamento do livro Discente Indecente (211 páginas) – um livro independente que reúne poemas, crônicas, contos e outros textos de alguns alunos. A idéia surgiu em meio às aulas de redação da professora Albina Vieira.

Entusiasmados com a idéia de fazer um evento para recitar textos e encenar teatro, participaram do Sarau: Augusto César (17), Fernando Marinho (16), Ivan Sanches (19), Rafael Watanabe (18), Sindy Guimarães (16), Henrique Dantas (17) e Guilherme Alencar (17).

Em vista do ano (2008-1958), o Sarau foi iniciado com um teatro em comemoração aos 50 anos da Bossa Nova. Viu-se Tom Jobim (Augusto César) e Vinícius de Moraes (Guilherme Alencar) em uma conversa sobre a música brasileira e a batida de João Gilberto. Para finalizar a peça, cantaram Garota de Ipanema, enquanto Vinícius contava seu insucesso com Helô Pinheiro (a verdadeira Garota de Ipanema).

Após a peça, aconteceu uma série de apresentações individuais com interpretações de textos (alguns lidos, outros decorados). Muitos dos textos recitados foram incluídos no livro.

Mas o momento de maior destaque foi o Rodízio de Poemas que finalizou o Sarau. Todos os participantes subiram ao palco, sentaram-se a uma mesa e jogaram sobre ela algumas folhas. O microfone era revezado entre eles para a recitação desses poemas (em geral, curtos). Escolheram alguns dos melhores poemas do livro, e, dessa vez, sem acompanhamento musical, os textos eram recitados com mais espontaneidade e vigor.

O evento foi promovido no anfiteatro do colégio Uniclass e houve o comparecimento de professores, pais, alunos e amigos.

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Em cima, da esquerda para a direita: Fernando Marinho, Sindy Guimarães, Albina Vieira, Rafael Watanabe, Augusto César e Bruno C. Porto. Em baixo: Henrique Dantas, Guilherme Alencar e Ivan Sanches.

Em nome dos discentes, deixo aqui um agradecimento a todos os funcionários do colégio, dentre eles, Romildo, Divina e Silmar, que além de nos ajudarem com a editoração e o cenário, também compraram um livro dos discentes-indecentes.

Mensagem a Carlos

O texto a seguir começou em versos, mas achei-lhe graça em prosa. É inspirado em Drummond.

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Encher-se do moderno e escrever automaticamente é que vai deixar fotografias exatas de nós para pesquisa, Carlos. Porque o pensar muito é enganação. Vou dizer o que tenho para dizer num só lance: a métrica nutre de ritmo seus filhinhos – que são os poemas -, mas se esquece de nós, de nós Carlos. E que esquecimento! Porque desejamos o ritmo, mas deixamos escapar tantas vezes o fundamental, que é precioso demais!

Enfim, essa ênfase já deve ter lhe dado nos cornos, lhe enchido. Dispeço-me, amigo, confiando que lerá com apreço esse conselho.

Dum Anjo Torto

Das impressões de um teatro (Memorial de Aires)

O grupo Barlavento está encenando uma obra de Machado de Assis, Memorial de Aires. Estão a representar também outras obras destinadas para o vestibular da UFG em um projeto chamado Tercena Literária (sempre às terças-feiras).

Normalmente, as expectações de qualquer teatro que se proponha a adaptar um clássico da literatura são diferentes das de uma peça comum. A peça a que assisti correspondeu de todo a essas expectações, com atores talentosos e adaptação fidedigna.

Além da peça, a Barlavento convida um professor de literatura para comentar a obra e responder a alguns questionamentos. Aqui abro parênteses para contar que, não só ele como uma senhora da platéia fez comentários da vida pública de Machado de Assis, num momento em que este professor respondia a uma pergunta a respeito das semelhanças entre o narrador e o autor – daquilo do Memorial ser autobiográfico, sabem?

Lembro-me mais ou menos do que ela disse – de todos os despachos realizados por Joaquim Maria Machado de Assis, segundo uma reportagem da Veja, não há nenhum em que se possa comprovar deslizes da sua parte, e são até ações contra os interesses da aristocracia rural - Machado de Assis foi ministro da Agricultura, se não me engano.

Na próxima terça vão representar Tarsila, e como é um texto dramático o que não faltam são cenas já direcionadas.

Sr. Aires

Mana Rita

Fidélia

Sr. Aires

Ambiente de construção do Memorial

Tristão

Carta de Machadinho à Carolina

Quem gosta de Machado de Assis vai gostar de ler essa carta. É da época em que ainda namorava com Carolina. Aqui está um blog em que a encontrei com comentários:

http://pdmfedc.multiply.com/journal/item/222/222

Vão adorar!

Achar-se tocando Samba

Toque-a tocando Samba, com um leviano dizer insensível de composições só e doloridas.

Escolhe um samba
Que te ocupa com as batidas.
Um dum ritmo que se esquece (da dor)
enquanto se toca e vai
seu coração. Chora e grita.
Coitado! ainda não conhece metade delas…
E já chora e grita?
Vai tocar samba na vida!

Guilherme Alencar

Alguém faz música disso (risos)?

Do Lacônico Comportamento

Tenho refletido sobre o laconismo há algum tempo.

Lacônico diz-se da pessoa que usa poucas palavras. O termo tem origem na região da Lacônia (Grécia), habitada pelos espartanos ou lacões. O motivo do nome justifica-se pela formação dos simples cidadãos de Esparta durante a Antigüidade: voltada para a guerra, sem ênfase na Retórica ou na Filosofia.

Há alguns dias, de uma discussão acerca da economia de palavras em correspondências, li duas narrações que ilustram perfeitamente o comportamente lacônico. Transcreverei esta:

Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande, queria unir todos os povos gregos sobre seu domínio. A Grécia era composta por inúmeras cidades-estado. Esparta era uma delas.

Durante um cerco empreendido sobre a Lacônia, escreve aos espartanos:

“Se não se renderem imediatamente, invadirei suas terras. Se meus exércitos as invadirem, pilharão e queimarão tudo o que vocês mais prezam. Se eu marchar sobre a Lacônia, arrasarei suas cidades.”

Alguns dias depois Filipe recebe a resposta, abre a carta e lê somente uma palavra: “Se”.

Como os gestos breves são mais belos, não? Se a resposta dos espartanos fosse uma longa declaração de guerra seria apenas mais uma correspondência histórica. Também hoje importa ser lacônico, conciso e claro. Ora, em dias em que sobrepuja informação, chama-nos a atenção onde ela carece.